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Qualificação é desafio para as panificadoras


Padarias englobam outros serviços e contratam mais profissionais


Por Dháfine Mazza
Da Redação

Dispensar um pão quentinho e crocante no café da manhã é uma tarefa difícil para muita gente, afinal, o alimento agrada ao paladar e fornece energia para as pessoas há milhares de anos. Produto principal das padarias brasileiras, o pão divide hoje espaço com outros alimentos e serviços, resultado das novas necessidades dos consumidores, que desejam cada vez mais refeições rápidas e saborosas. Assim, as padarias de todo o País estão se adaptando para essa nova realidade de mercado, incluindo no menu de produtos e serviços o café da manhã, almoço self-service, lanches e sopas. Com essa nova tendência, mais empregos são criados no setor, que esbarra na falta de qualificação de mão-de-obra para preencher as vagas existentes.

De acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip), Giovani Mendonça, existem hoje no Brasil cerca de 10 mil vagas para padeiros, com salários que podem chegar a R$ 3 mil. O diretor afirma que, nos últimos quatro anos, as panificadoras brasileiras contrataram 100 mil profissionais, entre padeiros, confeiteiros, ajudantes de cozinha, atendentes e gerentes de loja. No entanto, faltam profissionais qualificados para assumir novas vagas em diferentes regiões do País.

No Ceará, essa realidade não é diferente. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Ceará (Sindipan), Lauro Martins, as padarias de Fortaleza estão se adaptando rapidamente a esse novo modelo de mercado e necessitando contratar mais profissionais, mas ainda existe uma carência muito grande de padeiros e confeiteiros qualificados, bem como de trabalhadores para atendimento. “O principal desafio do setor é encontrar mão-de-obra qualificada, que saiba confeccionar produtos de qualidade e também possua noções de gerenciamento, como planejamento, organização, disciplina e interação com a administração da panificadora”, afirma.

A necessidade de mão-de-obra é ressaltada pelo vice-presidente Regional Nordeste da Abip, Ricardo Sales, para quem essa carência de profissionais qualificados tem tornado o dia a dia das panificadoras extremamente difícil. “A necessidade é muito grande no Ceará e em todo o País, o que tem dificultado as atividades do setor. Atualmente, a panificação gera cerca de 30 mil empregos diretos no Ceará, mas precisamos de mais profissionais”, diz.

PARCERIAS
Para minimizar o problema, o Sindipan firmou parcerias com instituições para capacitar novos padeiros e confeiteiros. Há dois anos, o sindicato trabalha em conjunto com o Lar Fabiano de Cristo, instituição filantrópica que ajuda famílias carentes, para formar profissionais oriundos das comunidades atendidas pela instituição. Neste período, foram realizadas quatro turmas de padeiro e confeiteiro, capacitando cerca de 60 pessoas. “Utilizamos a padaria da instituição para realizar o treinamento. Após o curso teórico e prático, os alunos do curso fazem estágio de 30 dias nas padarias e muitos acabam sendo contratados”, explica Lauro Martins.
Neste ano, o sindicato também firmou parceria com o Centro Educacional da Juventude Padre João Piamarta para formar padeiros e confeiteiros. “Fizemos algumas alterações na estrutura da padaria do Piamarta e devemos começar a primeira turma do curso neste segundo semestre”, diz Martins.

O Sindipan também possui parceria com o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Para o presidente do sindicato, essas parcerias são importantes para qualificar também os empresários e outros funcionários do setor.

CURSOS EM ALTA
O Senac Ceará oferta dois cursos na área: “Formação de Confeiteiro” e “Padeiro e Confeiteiro”. De acordo com a consultora técnica de gastronomia do Senac, Louise Benevides, os dois cursos apresentam características diferentes, mas ambos são muito procurados. O curso “Formação de Confeiteiro” possui 530 horas/aula e é mais voltado para a confecção de produtos sofisticados, como esculturas de açúcar e chocolate. Já o curso “Padeiro e Confeiteiro”, com 230 horas/aulas, forma profissionais para confeccionarem produtos mais tradicionais da área de panificação. Por ano, são ofertados em Fortaleza duas turmas de cada um dos cursos.

Segundo Benevides, o curso de Padeiro e Confeiteiro tem um procura maior no interior do Ceará. Após a conclusão do curso, os alunos do Senac entram no banco de oportunidades da instituição e, quando as empresas solicitam, são encaminhados para a realização de estágio em padarias. “A aceitação desses profissionais é muito boa, pois o mercado é carente de mão-de-obra qualificada nesse setor”, afirma.

O SETOR
De acordo com um levantamento realizado pelo Programa de Apoio à Panificação (Propan), em 2009, o setor de panificação brasileiro registrou um crescimento de 12,61% nas vendas. A ampliação das vendas foi impulsionada pelo maior consumo de produtos de fabricação própria e de produtos relacionados ao foodservice. O aumento na lucratividade possibilitou a geração de mais de 30 mil postos de trabalho. O faturamento do setor no ano passado chegou a R$ 49,52 bilhões, contra R$ 43,98 bilhões em 2008. Já o aumento no número de frequentadores das lojas registrou crescimento de 1,70%, passando de 40,42 milhões de pessoas em 2008 para 41,11 milhões em 2009.

São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de padarias: 12.764. Em seguida, aparece o Rio de Janeiro, com 7.400 estabelecimentos. O Ceará ocupa a 14° no ranking dos estados com o maior número de padarias, possuindo 1.363 panificadoras. Desse total, cerca de 800 panificadoras estão localizadas em Fortaleza.

Fonte: www.oestadoce.com.br

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