quarta-feira, 11 de maio de 2011

O queijo é nosso!

Não há café da manhã ou jantar nordestino que passe sem algumas fatias de um bom queijo de coalho ou manteiga. Para além das mesas caseiras, os queijos do Nordeste já ganharam as ruas, vendidos em espetinhos por ambulantes, e também os cardápios de alguns restaurantes que praticam desde a culinária regional até a alta gastronomia. O Rio Grande do Norte está, aos poucos, sendo reconhecido como um dos grandes produtores, senão o maior, da região no quesito qualidade. Queijeiras potiguares se destacam frequentemente em concursos de alcance regional, provando que alguns dos laticínios mais saborosos do Brasil saem daqui – apesar de uma série de entraves burocráticos que envolvem essa indústria.

O melhor do Nordeste

O sabor dos queijos potiguares foi ressaltado recentemente pela participação no 7º Concurso de Queijos Regionais do Nordeste, um evento que fez parte da programação do VII Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados (Enel 2009), realizado em junho passado. Foram premiadas a queijeira Dona Gertrudes, de Caicó, que teve seu queijo de manteiga posicionado em 1º lugar, acompanhada em 2º lugar na mesma categoria pela LF Laticínios (de Jardim de Piranhas). Já no quesito queijo de coalho industrial, a premiada foi (pelo terceiro ano), a queijeira Dona Márcia, de Monte Alegre. Dona Gertrudes também foi premiada como melhor queijo de coalho artesanal.

Tacho para preparação do queijo de manteiga artesanal de Gertrudes

A queijeira de Gertrudes Fernandes de Araújo é um negócio de família iniciado há mais de 30 anos. A filha de Gertrudes, Alane Araújo, conta que a mãe fazia só para consumo próprio, até que os vizinhos passaram a pedir encomendas e o comércio foi nascendo. Hoje, é uma empresa de porte médio. Boa parte da produção vai para a capital, em açougues, padarias, lojas regionais como o Cantinho Sertanejo, e restaurantes como Farofa d’Água, Camarões, e Hotel Pestana. A cada 15 dias, também há encomendas para São Paulo, além de várias capitais nordestinas.

O melhor artesanal

A queijeira Gertrudes ainda é essencialmente artesanal, porém adaptada a algumas normas atuais. Há maquinários modernos em inox, sendo a principal a desnatadeira elétrica, que processa o leite. O resto do processo é artesanal, feito à base de leite cru (não pasteurizado), com objetivo de produzir um queijo sem muito sal e soro. “É preciso sentir o sabor do queijo, sem acréscimos”, diz Alane. A empresária teme que o processo de mecanização faça com que o queijo tradicional perca em consistência, sabor e textura. Queijeiras artesanais como as dela têm dificuldade em se adaptar às legislações atuais de produção. “É um estudo demorado para provar que o produto tem as condições necessárias para ser comercializado conforme as regras atuais. A gente se sente num impasse, apesar do apoio que o Sebrae e Emater nos dá. Sentimos falta de ações do poder público que facilite nosso negócio”, diz.

O melhor industrial

A mineira Márcia Carbogim pôs Monte Alegre, a 45km de Natal, no mapa nordestino da produção de queijo desde 2003. A produção de Dona Márcia é totalmente industrial mas, segundo ela, preocupada em manter a textura, o sabor e a consistência do queijo artesanal. É um queijo que “range” quando está sendo mordido e não derrete na chapa. “Pesquisamos muito para manter o padrão de sabor, mesmo usando o leite pasteurizado em vez do cru”, afirma. Ela conta que a empresa tem laboratórios que faz os exames necessários para manter o leite tipo ‘AA’, e gado próprio tratado com homeopatia e ração balanceada. O leite deve ser isento de brucelose e tuberculose. O queijo de Monte Alegre pode ser encontrado em vários pontos do estado, inclusive supermercados, já que possui selo de permissão para esse tipo de venda. Além do coalho, a Dona Márcia produz também queijo Minas e ricota. Raoni Carbogim, sócio-gerente e técnico de laticínios da empresa, afirma que a diversidade é necessária para sobreviver no mercado local. “A gente paga impostos altos pelo leite. Fica difícil concorrer com os laticínios subsidiados pelo governo que vêm de fora”, lamenta. Ele afirma que faltam mais incentivos do estado para que suas queijeiras possam se manter dentro dos padrões exigidos pela legislação federal. “O RN acaba ficando pra trás em muita coisa”, diz.

Artesanal x Industrializado

Acácio Brito, gestor do projeto de leite e derivados do Sebrae-RN, confirma a necessidade de a produção de queijos do estado – que é basicamente artesanal – se adaptar aos recursos exigidos, principalmente na questão higiênica. “É óbvio que a pasteurização interfere no sabor do queijo. Mas, tem a questão de o leite cru ser mais suscetível às doenças. Há um impasse entre a produção artesanal e industrial, e aí entra o trabalho de orientação do Sebrae e Emater”, explica. São cuidados como as boas práticas de ordenha, controle sanitário de rebanho, melhoria das instalações e equipamentos, tratamento de água, transporte adequado do leite, entre outros.

Queijos artesanais levam o “ferro” da queijeira de origem

Segundo Acácio, o entrave é o fato de não haver uma legislação estadual que cuide dos pequenos produtores potiguares. “A legislação federal exige uma série de recursos que o pequeno produtor não consegue manter. Temos 19 queijeiros que desejam sair da informalidade e ganhar o selo da Indicação Geográfica, que valoriza e mantém a produção de caráter regional. Precisamos de uma legislação estadual sobre o assunto, e estamos aguardando o desdobramento desses processos”, diz. Por enquanto, é preciso confiar na qualidade dos bons produtores. Atenção nos melhores queijos, então.

Fazendo bonito nos cardápios regionais

Para os restaurantes de culinária regional, queijos de coalho e manteiga são ingredientes de primeira ordem. No Âncora Caipira, a iguaria láctea pode ser saboreada no café da manhã, assada por cima da carne de sol, ou em sobremesas com mel de engenho (derretido), em doces de leite, coco ou goiaba, e ainda em forma de cartola, misto de queijo de manteiga derretido, banana frita, canela e chocolate em pó. O proprietário Gustavo Azevedo compra o queijo de São José do Seridó. O produto é artesanal, mas ele faz questão de que seja algo bem cuidado e de qualidade.

“Não pode ser mais como nos meus tempos de menino, em Parelhas. Hoje tem que ser tudo embalado à vácuo, bonitinho, higiênico, mas com o sabor do queijo da fazenda. Com pesquisa e bons contatos já se acham esses produtos”, diz. De queijo, ele entende.

“Uma tia minha fazia na fazenda. Eu acompanhava todo o processo do leite cozinhando, soro, nata, as mexidas nas panelas, até chegar nas formas de madeira para esfriar. Procuro queijos com o mesmo sabor daquela época”, diz.

O chef Arthur Coelho, carioca da gema, teve seu primeiro contato com o queijo coalho em 2000, já morando em Natal. Ele fez um jantar para um chef francês convidado, que consistia na fusão de ingredientes regionais e internacionais. O carpaccio de carne de sol com queijo coalho agradou em cheio. “O chef adorou, pediu receita e tudo mais. Só seria difícil ele encontrar a carne e o queijo na França”, diverte-se. A partir daí, Arthur não parou mais de experimentar com os ingredientes da terra.

“O queijo coalho é fantástico, porque tem uma boa acidez, um sabor bem característico. É muito versátil, e pode substituir os queijos estrangeiros em diversas receitas”, afirma.

Em pratos gratinados, por exemplo, pode substituir o queijo mussarela ou o requeijão; mesmo caso nos risotos. Arthur já produziu iguarias como um cheese-cake de coalho, e o purê de abóbora com carne de sol e queijo coalho gratinado.

“Sair do lugar-comum é a ideia, não se pode pensar apenas em queijo assado. Cozinha contemporânea é isso: fazer uma releitura do clássico, sem tirar o sabor dele”, diz. É algo ótimo para se fazer com os queijos do Nordeste.

Fonte: eventosnutrição.blogspot.com

domingo, 8 de maio de 2011

Doce lembrança


Foto: Junior Santos
Publicação: 06 de Fevereiro de 2011 às 00:00
Rosa Lúcia Andrade - repórter

Guardar na lembrança da infância um sabor nunca mais experimentado é fato comum, atualmente, entre pessoas com mais de 50, 60 anos de idade. A industrialização e a preferência por outras culturas, principalmente as estrangeiras, levaram para o esquecimento as páginas dos cadernos de receitas de famílias. E se as guloseimas não estiverem registradas em papel, apenas no modo de fazer dos nossos avós, é mais comum ainda o seu desaparecimento. Um exemplo, que a Tribuna do Norte resgata, depois dos difíceis alfenins (caderno Fim de Semana, 07/01/2011) é o doce seco, típico da região do Seridó.

junior santosTN Família vai ao Seridó em busca das doceiras que ainda produzem o doce seco, tradicional receita familiar praticamente ESQUECIDATN Família vai ao Seridó em busca das doceiras que ainda produzem o doce seco, tradicional receita familiar praticamente ESQUECIDA
Quem conhece associa seu forte sabor temperado, típico dos doces herdados dos portugueses, a festas. Natal e Ano Novo, além de São João. Em forma de pastel — mas não é frito e nem assado, apenas crocante em uma massa muito delicada —, este doce se refere sempre a uma mesa enfeitada para data especial. E como vem rareando, cada vez mais sua feitura, mesmo nas cozinhas das doceiras típicas do interior, é realmente uma festa regalar-se desta iguaria.

Devido ao recheio ser de um doce temperado, à base de especiarias como cravo, canela, erva-doce e pimenta do reino, este chama-se espécie. Leva ainda o mel de engenho (feito da rapadura escura), coco ralado, castanha de caju e farinha de mandioca. O mistério do doce seco está na massa fina e delicada. Feita apenas de farinha de trigo e água (pouquíssima, inclusive), o doce já recheado tem que esperar para transformar-se, apenas dependendo do clima, que deve estar seco e quente, para chegar ao ponto desejado: de tão crocante chega a estalar quando é mordido. E os que não conhecem, perguntam: “É assado? É frito?” Nada disso. Apenas o vento se encarrega de finalizar a receita. E se o ar estiver úmido, como no nosso litoral, o doce “chora”, como dizem as doceiras mais experientes; ou seja não seca e o recheio termina molhando a massa. E perde-se o encanto.

Raridade

Encontrar quem ainda faça o doce seco é tão difícil quanto encontrar nos dias de hoje uma pessoa que já tenha experimentado dessa iguaria. Só pessoas mais velhas ou sertanejos que, mantenham ainda ligações com sua terra natal, conhecem seu sabor. Quando se pergunta pela receita ou por uma doceira que o faça sempre encontramos alegria estampada no rosto de quem está rememorando as noites de festa em sua cidade da infância. Mas a resposta é sempre a mesma: “ninguém faz mais, não”.

Numa procura quase antropológica, encontra-se quem o faça, para alegria de muitos seridoenses. O TN Família localizou, em sua busca, três pessoas que ainda dominam a receita do doce seco. A doceira Vandilza, em Jardim do Seridó; dona Zélia e sua filha Morena, em São João do Sabugi.

falta de interesse ameaça a tradição

O cheiro e o sabor do doce seco lembram o pé-de-moleque — no Rio Grande do Norte, um bolo e não uma cocada de amendoim — e até o polêmico chouriço, feito com sangue de porco. Lembra pelas especiarias que entram nas três receitas e que dão o tom forte e inconfundível de cravo, canela, erva-doce, pimenta do reino, gengibre (para muitos, não tem “graça” se não tiver esta erva), além das castanhas que, quanto mais tiver, mais saboroso fica. Daí vem o nome de ‘espécie’, que neste caso é o recheio. Há quem o conheça por doce de espécie.

Essas referências de especiarias são associadas à península ibérica, numa clara origem árabe, como o livro “História da Alimentação no Brasil”, de Luís da Câmara Cascudo, refere-se no capítulo sobre a doçaria portuguesa. “espécie para recheio é um doce composto de pão duro ralado, mel, cravo-do-maranhão, etc.”. O farelo do pão duro teria sido substituído pela farinha de mandioca aqui no Brasil. Embora não conste o nome doce seco e nem doce de espécie no livro, que elenca vários doces e suas localidades de origem, há o registro da espécie como recheio de receitas de sobremesas.

A receita do doce seco vem passando, ao longo dos anos, de mãe para filha e sabemos que está, pelo menos, na quarta geração. Vandilza Gonçalves da Silva, 47, conta que não sabe ao certo quando começou a fazer o doce, já que sempre esteve na cozinha, desde a infância, ajudando a avó Josefa Elvira, a separar e moer os ingredientes. “E minha avó já aprendeu com a mãe dela, Francisca Elvira de Freitas”, fala. Depois que a avó não pôde mais continuar como doceira, a mãe de Vandilza, Francisca das Chagas da Silva, passou a tomar conta da receita, mas por pouco tempo. Logo a quarta geração de doceiras de Jardim do Seridó, Vandilza, tomou conta da feitura do doce e vem sendo a preferida de muitas famílias que guardam a tradição de ter a iguaria na mesa de Natal e Ano Novo.

Sempre servido em ocasiões festivas, o registro do consumo deste doce é relacionado também a festas de santos padroeiros. No município de Serra Negra do Norte e São João do Sabugi (este último desmembrado do primeiro) ele é servido na noite de São João. Até hoje a comunidade jardinense que mora em Natal encomenda o doce seco que vem de Jardim do Seridó, para a noite de encerramento da novena de Nossa Senhora da Conceição, padroeira dessa cidade seridoense. A imagem de Nossa Senhora vai de Jardim a Natal e durante nove noites reúne fiéis para a novena. No último dia, sempre festivo, na mesa não pode faltar o doce de tantas tradições sertanejas.

Se perguntado aos seridoenses mais velhos sobre o que constava numa mesa de aniversário, festa de padroeira ou ceia de Natal, sempre vem a doce e temperada lembrança do doce seco como sobremesa. Os mais antigos também falam que era comida de mulher parida. “Isso é muito forte, tem mel de rapadura e dá muito leite”, afirma Francisca das Chagas, mãe de Vandilza.

O modo de fazer o doce seco ou doce de espécie não consta do registro do inventário de referências culturais realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, em sete municípios do Seridó — Caicó, Acari, Currais Novos, Carnaúba dos Dantas, Cruzeta, Jardim do Seridó e Timbaúba dos Batistas —, em 2007. Constam chouriço, filhós (que também vem desaparecendo das cozinhas tradicionais) e doce de jerimum, além dos variados biscoitos de Caicó. A chefe da divisão técnica do Iphan, Heliana Carvalho não sabe precisar se outras abordagens serão feitas ainda na região já explorada pelo inventário, que abordou formas de expressão, celebrações, ofícios e modo de fazer e lugares.

A alternativa que resta é passar a receita como vem sendo feito de mãe para filha, a cada geração. O problema encontrado é que as novas gerações não têm interesse em dar continuidade à tradição, como é constatado até mesmo na família de Vandilza. Nenhuma sobrinha dela ainda manifestou a vontade de aprender a fazer o doce seco e nem outra receita da família.

Doce faz parte das memórias de infância de Pery Lamartine

O doce seco faz parte das lembranças de infância do escritor e sertanejo — como ele próprio define — Pery Lamartine. Em um artigo publicado em seu blog, escrevendo sobre o reencontro com um amigo dos tempos das festas animadas em São João do Sabugi, o dito doce é citado e elogiado.

Lembra quem o fazia e onde a negra já de idade e detentora do mistério do doce crocante que não leva fogo, morava. “No fim da rua”, tenta lembrar um conterrâneo enquanto consultava sobre o nome da cozinheira que andou por várias cozinhas das tradicionais famílias daquele pedaço de Seridó.

Na fazenda Timbaúba, do avô materno Zuza Gorgônio, em Ouro Branco, sua mãe, Maria de Lourdes, também fazia a receita. “Ela modificava para ficar mais prática”, diz, explicando que no lugar da rapadura, colocava açúcar bruto, o escuro, e também nunca usou a crueira, como os mais antigos usavam, sempre usou a farinha. Crueira, segundo explica Pery Lamartine, é a parte ralada mais grossa da mandioca, geralmente colocada como ração para o gado. Mas a receita de dona Maria de Lourdes, nos idos dos anos 20 para 30, sempre levava gengibre. “Se não tivesse ela nem fazia porque ficava sem graça”, diz.

A lembrança dele também remete o sabor do doce às festas juninas, mais precisamente à noite de São João, festa típica do município de São João do Sabugi. Lá, os festejos eram mais animados, diferente da programação de sua cidade, a vizinha Serra Negra do Norte. “Tinha orquestra na praça, diferente de Serra Negra que era mais programação de igreja”, relembra. Menino criado em fazenda até os dez anos de idade, Pery Lamartine avalia como natural a perda de costumes típicos. Antigamente, sem industrialização de alimentos cozinhava-se tudo em casa. Hoje, a facilidade dos produtos prontos e a vida corrida, para ele, concorrem para o fim do conhecimento de receitas de família. Embora diga que antes era bem melhor, com sabores incapazes de serem esquecidos.

Receita do doce seco

Ingredientes:

• 1 ½ rapadura

• 2 xícaras de farinha de mandioca bem fina

• 2 colheres (sopa) de: cravo

• 2 colheres (sopa) de canela

• 2 colheres (sopa) de erva-doce

• 1 colher (chá) de pimenta do reino

• 1 colher (chá) de gengibre (se preferir)

• 1 coco ralado e tirado o leite

• 100g de castanha de caju

• 1 pitada de sal

Modo de fazer:

Quando se faz o doce seco é sempre uma receita grande, pra muitas pessoas, já que se trata de uma sobremesa a ser servida em um jantar festivo. A receita que Valdilza disponibilizou rende uma tigela média rasa de espécie que dá para rechear aproximadamente uns 100 doces.

O primeiro passo é fazer o mel com uma rapadura bem escura. Coloca-se no fogo com um pouco de água a rapadura quebrada em pedaços grosseiros e vai mexendo para ela desmanchar e dar o ponto de mel, um pouco grosso. Depois, rala-se o coco para tirar o leite ou azeite, como ainda chamam algumas pessoas mais antigas. As especiarias são trituradas: cravo, canela, erva-doce, gengibre (para quem preferir) e pimenta do reino. As castanhas também são trituradas, mas algumas ficam inteiras para enfeitar.

Depois de tirar o leite do coco passando no liquidificador, côa-se e acrescenta-se os ingredientes secos, as especiarias, a castanha triturada e a farinha de mandioca. Leva-se ao fogo em uma panela com o cuidado de sempre mexer para não deixar a farinha sentar no fundo da panela e não queimar. Nesta quantidade, quando começar a fervura espera-se mais ou menos meia hora para desligar o fogo, sempre mexendo. Quando desgrudar do fundo da panela, está no ponto. Coloca-se em tigela e o ideal é esperar até o dia seguinte para montar os doces, pois a espécie tem que estar fria.

Numa superfície lisa e enfarinhada, abre-se a massa aos poucos. Feita de farinha de trigo e um pouco de água, é amassada na mão e deve ter consistência macia e firme. Pequenas quantidades da massa, mais ou menos do tamanho de uma bola de pingue-pongue, são abertas para serem recheadas e cortadas com formas de pastel. Depois de montados, os doces recebem generosa quantidade de farinha de trigo polvilhada para ajudar a secar a massa, sempre em local arejado. De vez em quando é recomendável virá-los de lado.

O mais importante: não pode ser guardado na geladeira para que a massa não molhe e não amoleça.

Fonte: Tribuna do Norte

Seridó de forno, fogão e bordado



Foto: redeserido.com.br

Publicação: 28 de Janeiro de 2011 às 00:00
Tádzio França - repórter

Regionalismo sem fronteiras: um conceito de tempos globais que cabe bem em meio aos muitos corredores da Feira de Artesanato do RN – Fiart –, cuja 16ª edição se encerra neste domingo, no Centro de Convenções. Evento já veterano, a Fiart progrediu ao ponto de acompanhar uma tendência que vem se firmando nos últimos anos, a valorização cada vez maior do ingrediente regional – seja de onde vier. Neste ano, a cultura potiguar se posicionou em primeiro plano, com o ‘Espaço Seridó’, logo à entrada da feira. Mas em meio a 1.600 artesãos do Brasil e do mundo, cada qual que apresente as suas qualidades, seus diferenciais, e a cultura – tradicional ou moderna – de sua terra.

aldair dantasEspaço oferece do café sertanejo aos souvenirs típicos do SeridóEspaço oferece do café sertanejo aos souvenirs típicos do Seridó
Café sertanejo

O visitante da Fiart 2011 vai encontrar logo de cara o sotaque nordestino do evento. A reprodução do Arco do Triunfo de Caicó na entrada reforça a imagem. O palco, à direita de quem entra, destaca as apresentações de dança, música e folclore. Neste ano foi ampliado o ambiente que reproduz um boteco sertanejo, agora transformado num amplo armazém. O destaque neste espaço são os sabores nordestinos: sabores para curar, como os lambedores de amora miura e suas dezenas de propriedades anti-inflamatórias, e para degustar, com o forte café sertanejo e seus bolinhos, tapiocas no coco, e caldos.

Doces regionais

No armazém cenográfico da Fiart, um sabor em destaque está despertando o paladar de muitos saudosos. A doceira Vera Lúcia Costa, de Assu, faz alfenim desde os 10 anos de idade. Ela conta que sempre participou da feira, mas que pela primeira vez estava fazendo os docinhos in loco. Com a habilidade de quem faz isso há 35 anos, Vera prepara a massa de açúcar, limão e água, corta com uma tesoura, molda as formas e as passa na goma. Em poucos minutos ganham formas uma infinidade de bichinhos, bailarinas e cachimbos de açúcar. Tudo isso na frente do cliente.

Vera não tem um ponto para venda de alfenim em Assu. Sua produção se limita a encomendas esporádicas na região, feiras grandes e festas religiosas. A doceira conta que o alfenim é uma grata surpresa para muita gente que vem à Fiart. “A maioria da clientela vê como o resgate de um sabor da infância. E gosta de apresentar para os mais novos”, conta. Apesar do aparente esquecimento dessa guloseima nordestina, a arte de Vera não vai acabar com ela: a doceira passou seus ensinamentos para a filha, que a acompanha na produção. Doce herança.

Espaço Seridó

As guloseimas regionais continuam abrindo apetites no Espaço Seridó, a área mais regional da feira. A banca dos Biscoitos Caseiros Caicó apresenta a diversidade de suas massas artesanais feitas apenas no forno; nada vai para a frigideira. “Assim o sabor é muito melhor”, afirma o vendedor Ademir Eufrásio. Para confirmar isso, há 18 tipos de biscoitos, entre salgados (sabores queijo, alho, cebola, pimenta com orégano e pizza) e doces, como os bicolores amanteigados com recheios de goiaba, chocolate e nata, castanha de caju, maracujá, nata com cupuaçu, e ‘raiva’ (bolinha de goma). Os biscoitos de Caicó já correm o Brasil há mais de 10 anos.

Um estande que reúne produtores de Mossoró, Natal e Caicó é uma salada de sabores made in RN. Fãs de doces encontrarão suspiros, sequilhos, raivas, mel de abelha e de jandaíra, castanhas, licores e doces caseiros. Entre os licores de sabores mais originais estão os de jenipapo, tamarindo, tangerina, especiarias, flores e frutos, graviola, cajá e café. Mais sobremesas? Tente as geleias de cupuaçu, manga, melancia, mamão ou goiaba, e os doces de mamão com coco, gergelim, beterraba, tomate, caju, goiaba em pasta, entre outros.

Há espaço até para sugestões apimentadas. O casal Walkyria Machado e Carlos Alberto se dedica há sete anos à produção de produtos com pimentas cultivadas no estado. “Já produzimos uma pimenta que é 16 vezes mais ardida que a malagueta”, alertam. Mas também há opções para paladares mais moderados, como a pimenta ‘biquinho’ (usada em saladas e tira-gostos) e geleias ardidas e não-ardidas. Lojas sertanejas e padarias são os maiores clientes até agora.

Arte para decorar e vestir

O segmento artesanal em peças utilitárias e decorativas é o segmento mais forte da Fiart. Os produtos oscilam entre a tradição e a criatividade – com a beleza em comum. A cerâmica em barro pintado feita por Miraci Almeida, de São Gonçalo do Amarante, representou o estado no Salão de Turismo de São Paulo, e foi considerada uma das 10 melhores do país. O trabalho que ela faz é a versão nordestina da secular pintura em porcelana portuguesa. “Como não tínhamos porcelana, foi usado o barro. E ficou igualmente bonito”, diz a filha Tatiana Almeida. As peças variam entre verde, azul e branco, entre pratos, jarros e miniaturas de animais.

rodrigo senaArtesanato em argila domina parte do salão de artistas potiguaresArtesanato em argila domina parte do salão de artistas potiguares
Ideias antigas ganham toques novos. As peças da Companhia do Barro, do artista plástico potiguar Josemar Nascimento, que cria peças de cerâmica decoradas com desenhos vitrificados. Jarros, vasos, queijeiras e peças para banheiro ganham desenhos florais e marítimos. O resultado final é refinado. A dupla pernambucana Milton Araújo e Carlos Queiroz, da “Eu Q Fiz”, surpreendem com seus painéis à base de tela, onde desenhos em MDF ganham acabamento em ‘craquelê’ (efeito quebradiço), num resultado bastante original e bonito. “É um trabalho manual e meticuloso”, diz Milton.

Nos quesitos beleza e criatividade, o brasiliense Alex Ofuji vem arrancando elogios com suas luminárias feitas em cano PVC. Em peças de 25cm a 1m20, ele desenha anjos, santos cristãos, ícones orientais, personagens infantis, e muitos motivos florais. Os desenhos parecem se projetar da peça, como num alto-relevo em 3D. Ofuji faz tudo a mão, mas não entrega as técnicas que usa. “Estou feliz com a repercussão do trabalho na Fiart, ainda mais por ser minha primeira vez por aqui”, diz. Ele trabalha as peças há seis anos.

O bom e velho fuxico está mais fashion que nunca. As artesãs/estilistas Ivoneida Souza e Damilúzia trouxeram o toque artesanal para a Fuxico Xique, moda feminina onde elas utilizam as tradicionais florzinhas de pano aliadas aos recortes em patchwork. Os apliques rendem peças criativas em camisetas, almofadas, colares, bolsas, agendas e necessaires. Elas vendem suas peças customizadas no Shopping do Artesanato Potiguar, em Ponta Negra.

Outra amostra de fashionismo regional é a Palhas Brasil, empresa de Minas Gerais que produz bijuterias finas em palha de buriti trançadas manualmente, típicas do cerrado brasileiro. Colares, brincos e pulseiras ganham apliques de madeira, pedra e resina, em peças banhadas em verniz. O design é exclusivo, resultando em artigos diferenciados para quem compra. O resultado é requintado e original.

O brilho também é destaque no estande turco. Através de uma técnica bastante peculiar, as peças em vidro recebem desenhos em ouro e platina feitos à mão, com direito a apliques de cristal. Uma série de taças (até tulipas para cerveja), vasos, jarras, cinzeiros e conjuntos para chá e sobremesa são ornados com motivos florais e arabescos chamativos. O proprietário do estande, Mikail, tem esse trabalho na família há dois séculos.

O tradicional estande peruano destaca este ano as peças em cerâmica queimada, bonecos arredondados que representam cenas de dança e romantismo. Há também as cabaças que contam histórias da cultura inca. Costa para Gravatá, em Pernambuco: chama atenção a leveza das peças em alumínio polido da Decorarte: ganham forma em esculturas graciosas de bailarinas, painéis, castiçais, fruteiras e bandejas. Uma viagem sem fronteiras que exige fôlego...

Arte para ouvir e dançar

A sexta-feira cultural da Fiart tem Dodôra Cardoso, XI Festival de Danças Folclóricas e Contemporâneas, Cia de Danças Arte em Movimento, Capoeira Show Celeiro de Bamba, Grupo Corpos Brincantes (Extremoz), Grupo Côco de Calemba de S.G. Amarante, Grupo Xaxado Bando de Lampeão (Touros), Grupo Cultural de C. Mirim (Caboclinhos), Cia de Danças Folcdance, Grupo Flor de Cact’us (Parnamirim), Grupo Quebrando o Côco (S.G.Amarante) e para finalizar, banda Anos 60. No sábado, Forró Santa Maria, a Mostra Natal Fitness, Trup Ashak Cia de Danças, a final do XI Festival de Danças Folclóricas e Contemporâneas, e show de Sérgio Luiz e Banda Derocha.

O domingo encerra o evento com a Arte do Circo (palhaços e malabaristas) danças e rituais indígenas, Cia de Eventos Culturais do Nova Natal, Balé da Casa do Bem, Mostra de Danças de Salão (Evidance), Trup Ashak Cia de Danças e show de Ivanildo de Natal e Estigma Musical.

Fonte: Tribuna do Norte

O sabor do Seridó




Por Fátima Souza - Da Redação em 24/12/2010
Fotos: Fátima Souza

Que sabor tem o sucesso? No pequeno vilarejo Mina Brejuí, em Currais Novos, ao lado das montanhas de rejeitos da mineração de sheelita, cuja exploração tornou a localidade a maior produtora do minério da América Latina na década de 60, surgiu a história de sucesso do sonhador e persistente Fábio Jammes Monteiro, de 35 anos.


Filho da “Terra da Sheelita”, Fábio investiu na vida militar onde pretendia seguir carreira. Após 6 anos, em 2000, se deu a reforma ministerial que unificou as três pastas militares num único ministério, o da Defesa, dispensando milhares de militares, um era ele. “Queria seguir carreira no exército, como não foi possível, tive que me virá”, disse.


O primeiro projeto foi junto com os irmãos e o pai, montar uma padaria na cidade potiguar de Parnamirim, onde fica a guarnição a qual servia. Não deu certo. “Não entendia nada de padaria, muitas vezes ficamos reféns de padeiros que sentia que nós não entendíamos do assunto. Daí, resolvi aprender, mas já era tarde, a padaria foi a falência”.


A pedido de familiares, Fábio resolveu voltar para sua terra natal, mais precisamente para a Mina Brejuí. “Em 15 de novembro de 2002 chegamos aqui, de mala e cuia”, lembra Kelly Kênia, esposa e fiel escudeira de Fábio.


O início não foi fácil, mas a experiência que tinha adquirido na primeira padaria, e um pouco do estoque de farinha, margarina e alguns equipamentos manuais ajudaram a começar um negócio novo: A Panificadora e Loja de Conveniência Mão na Massa. “Chegamos com 10 sacos de farinha e 10 baldes de margarina, comprados fiados porque eu não tinha crédito no comercio local, ninguém me conhecia, mas a minha intenção era fazer pão pra a vizinhança, só para sobreviver”, disse Fábio.


O nome do novo empreendimento veio de um livro de receita. “Nós estávamos procurando um nome para a empresa e quando eu vi em um livro de receita “Mão na Massa”, não poderia ser outro, porque literalmente nós colocamos muita mão na massa, pra essa estarmos aqui hoje”, disse Kelly.


Religioso, o casal disse nunca perder a fé, e com muita força de vontade viu o negócio começar a crescer, apareceria ai a grande protagonista da história: a bolacha amanteigada da Mina, como ficou famosa. Mas não foi fácil. “Minha rotina foi de muito esforço. Eu dormia até a meia noite e levantava e ia mexer a massa até as 4 da manhã para poder no amanhecer do dia ter produto para entregar, mas nunca perdi a esperança, pedia sempre força a Deus”.


Embora o produto seja fabricado por outras empresas, a bolacha da Mina ganhou um toque especial, que Fábio não revela o segredo, e hoje é o motivo do sucesso de venda no mercado, e sinônimo de sabor do Seridó. “Comecei aperfeiçoar a receita, hoje as pessoas quando enviam uma lembrança da região para amigos e parentes, nossa bolacha é uma dela, hoje a nossa bolacha amanteigada da Mina é mandada até pros Estados Unidos, e isso me dá muito orgulho”.


O primeiro passo foi o comércio de Currais Novos e cidades vizinhas. Hoje a demanda não pára de crescer com entrega em todo Rio Grande do Norte e parte da Paraíba. Dos 10 sacos de farinha iniciais que demorou 20 dias para acabar, atualmente são consumidos 12 sacos diários, o que representa uma média de 60 mil pacotes da bolacha fabricado por mês e 14 empregos diretos.


Em 2007, Fábio padronizou as embalagens, o que lhe rendeu a primeira grande parceria com a distribuidora Kero-Kero, com venda garantida todos os meses de 6 mil pacotes. Além da bolacha amanteigada, Fábio também fabrica outros produtos, entre eles, pães, que segundo ele não possui produto químico e tem um sabor especial, para abastecer suas duas padarias na cidade de Currais Novos, com uma média de 4 mil pães diário.


Ele lembra que apesar das dificuldades, prefere dar um passo de cada vez. “Eu recebo a visita de gerentes de bancos aqui na minha empresa me oferecendo crédito, contudo quero continuar andando com as minhas pernas, mas fico feliz saber que quando eu precisar, terei crédito na praça”.


Com a simplicidade típica dos guerreiros, Fábio e Kelly não param de sonhar. Depois de 8 anos de muito esforço, os dois conseguiram comprar um terreno, e agora em 2011 se mudam para a casa própria tão sonhada, com a fábrica aos fundos, com cerca de 240 metros quadrados, dentro de todas as normas e padrões, com previsão de geração de novos empregos. “Antes a gente trabalhava em um local pequeno, que não era nosso, agora eu mesmo projetei a minha fábrica do jeito que eu sempre quis. A partir de agora, terei condições de ampliar a produção e produzir novos produtos, sei que o trabalho está só começando, mas estou realizando um sonho e só tenho que agradecer a Deus por tudo”, disse Fábio.


O segredo do sucesso do negócio Fábio é categórico: “Coragem de trabalhar e fé em Deus, não deixar cair a qualidade do produto e não pisar ninguém, faço questão de tratar bem todos os meus funcionários, aliás não tenho funcionários tenho amigos, e se for pra mudar meu jeito, prefiro parar”. A esposa explica que a proximidade da relação entre patrão é tão grande, que quando tem que tomar uma decisão difícil, chega até a chorar.


Fábio faz questão de treinar todos eles. “Alguns eu encontrei cortando capim no sítio, e hoje são profissionais na área de panificação”. E o respeito parece recíproco. Com cinco anos de história na empresa Antonio Marcos fala da importância que a fábrica tem. “Ela me proporcionou estabilidade no mercado, por isso é muito importante na minha vida”, disse.




Atualmente, a bolacha amanteigada da Mina é um delicioso sinônimo para Currais Novos e para o Seridó. E se você associar produto a uma região, como chimarrão ao Sul do Brasil, vatapá e caruru a Bahia, açaí e tacacá ao estado do Pará, certamente associará a Bolacha da amanteigada da Mina ao Seridó potiguar.

Fonte: cnagitos.com

terça-feira, 3 de maio de 2011

Ser líder

* Alexandre Prates


Uma discussão sempre envolveu a área de desenvolvimento de líderes: eles nascem prontos ou podem ser criados?

O termo “nascer pronto” não quer nos remeter a imaginar uma criança de 2 anos de idade liderando um protesto infantil pelos seus direitos e deveres na creche, devido a um lanchinho que não agradou. Essa expressão enfatiza o que chamamos de talentos, uma aptidão natural que nos possibilita ser bem sucedido em determinada função, mesmo sem conseguir explicar a origem desta facilidade. Refiro-me àquela velha frase: “nossa, esse menino tem uma grande facilidade para desenhar. Como ele aprendeu isso?”

Portanto, um fato é indiscutível: existem pessoas com habilidades inatas para liderar. Mas isso não garante o sucesso como líder. Um talento só é útil quando transformado em competências mercado, ou seja, quando consegue aliar suas habilidades inatas às atitudes e conhecimentos necessários para conquistar resultados na área que almeja.

Habilidades podem e devem ser desenvolvidas

Eis uma ótima notícia! Mesmo que você não possua uma habilidade inata para realizar alguma atividade específica, é possível desenvolvê-la. Talvez você não consiga o mesmo êxito de alguém que possua esse dom natural, mas conseguirá desenvolver-se plenamente com esforço, dedicação e persistência.

Habilidades podem ser desperdiçadas

Não pense que somente porque você possui um talento especial não precisará desenvolver-se continuamente. Uma habilidade, se não aperfeiçoada constantemente, poderá ser desperdiçada e nunca ser utilizada com maestria.

Liderança não tem contraindicação

Independentemente da sua área de atuação, um ponto é indiscutível: você deve ser um líder! Não se restrinja ao conceito de liderar pessoas – uma das habilidades fundamentais da liderança. É importante também a capacidade de engajamento. Liderar é desfrutar de uma inquietação produtiva, é querer sempre mais!

A construção de um líder

Vimos que talento é importante, mas não é tudo. Vimos que mesmo que você não possua habilidades inatas para liderar, pode desenvolvê-las. Compreendido isso, podemos retomar o título deste artigo: Ser líder é uma questão de decisão!

Habilidades (inatas ou não) + Conhecimento + Atitude = Competências de liderança.

Quer realmente tornar-se um líder? Então:

Decida entender e gostar de gente - Independentemente da sua profissão, tudo se resume ao ser humano e você precisará conhecê-lo, de fato, para prosperar em qualquer cenário do mundo corporativo. Invista em relacionamento!

Decida ser ambicioso – Liderar sem ambição é como ser um centroavante que não se importa em fazer gols. A principal missão de um líder é construir e engajar as pessoas em prol dos resultados. Um líder sem ambição constrói equipes mornas, sem ambição. Mas lembre-se: ambição é diferente de ganância.

Decida comunicar-se com maestria – A comunicação se faz presente a todo o momento, principalmente no externar dos nossos comportamentos. Um profissional que tem como um ponto forte a capacidade de comunicação consegue usar o poder da linguagem para potencializar o seu time em busca dos resultados organizacionais.

Decida ser multicultural – Um líder precisa dominar uma área de conhecimento, sem alienar-se das demais. Estar conectado, atento e, principalmente, preparar-se para as diversas áreas do conhecimento. E tão importante quanto o conhecimento técnico e comportamental é o investimento em cultura, em conhecimento não-perecível.

Decida se inovador – Na era da competitividade, o que vale é a inovação. E não estou me referindo a grandes inovações, mas, sim, na maneira criativa de como você pode fazer a mesma coisa de diversas formas, encantando e surpreendendo as pessoas ao seu redor.

Decida pensar estrategicamente – Um líder precisa ter uma capacidade incrível de tomada de decisão. Ninguém confiará um líder que fica “em cima do muro”. Pensar estrategicamente é pensar a longo prazo, concretizando ações que tragam resultados sustentáveis. Pensar estrategicamente é buscar novas fontes de informação para estar preparado às constantes mudanças do mundo corporativo.

Decida ser congruente – Liderar é uma questão de confiança. Confiança é uma questão de congruência. Como confiar em alguém incongruente, que tem comportamentos completamente diferentes de suas intenções? Liderar pelo exemplo é uma atitude fundamental para conquistar naturalmente o respeito e comprometimento de seus seguidores.

Por fim, decida ser líder e garanta a sua sustentabilidade no mundo corporativo.




(*) Alexandre Prates é especialista em liderança, desenvolvimento humano e performance organizacional. É também Master Coach, palestrante e autor do livro "A Reinvenção do Profissional - Tendências Comportamentais do Profissional do Futuro" e da metodologia de coaching "Inteligência Potencial".


Fonte: Padaria Moderna