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O papel do nutricionista no contexto atual

Beatriz Botequio A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2008-2009 mostra que, em 30 anos, o brasileiro diversificou sua alimentação, reduzindo o consumo de gêneros tradicionais como arroz, feijão, batata, pão e açúcar. Até o leite de vaca pasteurizado, que é o produto adquirido em maior quantidade pelas famílias (38 kg por pessoa anualmente), teve seu consumo diminuído em 40%. Estes dados demonstram o quanto a população brasileira vem consumido quantidades insuficientes de nutrientes vitais para a manutenção da saúde, em especial as vitaminas e minerais. O que poucos sabem é que o organismo produz apenas três dos 26 micronutrientes (vitaminas e minerais) necessários para manter a boa saúde. Neste caso, os demais devem ser buscados na natureza, especificamente por meio de uma alimentação que seja a mais variada possível, rica em carnes, verduras, legumes, grãos, frutas, cereais, leites e derivados e sementes. Cada um desses micronutrientes tem um papel importante nas reações químicas e funções metabólicas. Quando o corpo sente falta destas substâncias, o organismo avisa que existe falha no sistema, favorecendo o aparecimento de uma série de complicações a curto e longo prazo: de fadiga até maior suscetibilidade a infecções. Neste contexto, que engloba a saúde atual dos brasileiros, o profissional nutricionista é de fundamental importância para orientar sobre o valor destes nutrientes. Ele pode identificar quais os fatores que comprometem a ingestão adequada destes micronutrientes, que podem ser muitos, como estilo de vida, aumento nas demandas nutricionais, restrições alimentares, situações patológicas, desinformações sobre hábitos saudáveis e baixo consumo ou exclusão de alimentos-fonte. Após uma análise precisa das necessidades nutricionais, o profisisonal estabelece um programa alimentar adequado a cada individuo e se for necessário, realiza a suplementação de vitaminas e minerais como uma terapêutica complementar. A suplementação dos micronutrientes se faz cada vez mais necessária, pois estes atuam como reguladores do metabolismo, já que participam de muitas funções vitais que vão além de prevenção de doenças. Eles auxiliam na absorção de outros nutrientes, fortalecem o sistema imunológico, retardam o envelhecimento, e protegem contra radicais livres, atuando na melhora do funcionamento do organismo, mesmo quando saudável. O guia alimentar da população brasileira orienta o consumo de 400 g de frutas, verduras e legumes ao dia. Como os dados da POF revelam que o consumo está três vezes abaixo da indicação, aumenta a preocupação com a deficiência destes micronutrientes pelos nutricionistas. A baixa ingestão destes alimentos se deve a falta de tempo para compra, as extenuantes jornadas de trabalho e alto consumo de alimentos tipo fast-food. Portanto, é de responsabilidade do nutricionista estabelecer estratégias para prevenção de deficiências nutricionais, tais como: educação alimentar com promoção de dieta balanceada e suplementação com polivitamínicos e minerais. Beatriz Botequio é nutricionista da Equilibrium Consultoria.

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