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Sirene avisa a hora do pãozinho quente


A sirene toca. É sinal que tem pão quentinho saindo do forno. Esse velho costume, comum em pequenas cidades e adotado por donos de padarias para avisar quando o pão acabava de ficar pronto, ainda resiste à modernidade e ao tempo em pelo menos dois estabelecimentos comerciais de Uberlândia. O som é tão alto que pode ser ouvido num raio de aproximadamente dois quilômetros a partir do bairro Santa Luzia, onde a padaria está instalada, até outros bairros próximos como Granada, na zona sul, e Segismundo Pereira e Santa Mônica, na zona leste. “Só não tocamos mais cedo por causa da Lei do Silêncio, mas às 7h já sai a primeira fornada de pão fresquinho”, disse o gerente do estabelecimento Marcelo de Souza Ferreira.

A padaria instalada no supermercado do Santa Luzia, onde Marcelo de Souza é gerente, há 11 anos anuncia por meio do toque da sirene seis das oito fornadas de pães produzidas diariamente – a sirene só não é acionada às 7h e 8h por impedimento da Lei Ambiental do Silêncio. Para o padeiro e confeiteiro Nilton César Queiroz, responsável por todo o processo de produção e também do acionamento da sirene, a tradição ajuda aumentar a renda e a manter a média de 2,5 mil pães vendidos por dia. “Os clientes já estão acostumados. Tanto que, quando ouvem a sirene, já vêm para o mercado. Isso aumenta nossas vendas”, disse. A dona de casa Sílvia Alves Fernandes é um dos clientes que aparecem ao toque da sirene. “É uma facilidade. Às vezes deixo até para comprar outros produtos, como carne e verdura, na hora em que o pãozinho fica pronto.”, afirmou. O aposentado Pedro Vitor Faria, que há mais de 10 anos é cliente do estabelecimento, segue exemplo parecido ao da dona de casa. “O sinal indica quando o pão está pronto, daí a gente vem e compra sempre quentinho”, afirmou.

Embora o estabelecimento tenha percebido um aumento nas vendas por causa da sirene, o presidente Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria de Uberlândia (Sindipan), Milton Inhaquitti, diz não haver dados estatísticos que relacionem o aumento na venda de pães com o uso da sirene. Ele informa, inclusive, ser raro esse costume da padaria em cidades do porte de Uberlândia.

Sirene muda

Mesmo que presidente do Sindipan desconheça a eficiência da sirene, a falta dela já foi motivo de lamentação por parte de Marcelo de Souza, que viu cair a média de 2,5 mil pães vendidos por dia no estabelecimento onde é gerente. “No ano passado, o apito ficou seis meses sem funcionar, por causa de uma reforma que fizemos na loja. Notamos uma queda de até 20% nas vendas. Tivemos até que fazer promoções para que o movimento melhorasse”, disse. Hoje, com a sirene funcionando normalmente, o gerente comemora o movimento.

A estratégia do empresário Marcelo de Souza em resgatar o velho costume da sirene, que avisa quando tem pão quente na banca, já faz escola. É o que passou a acontecer em outra padaria do mesmo bairro – o Santa Luzia -, cujo proprietário resolveu investir na mesma estratégia da sirene para atrair a clientela. Quando o pão sai quentinho do forno. E tem dado certo. Por dia são vendidos 800 pãezinhos. “Alguns clientes deixam para vir aqui na hora em que tocamos o apito. E levam o pão quente para casa”, disse a operadora de caixa Maria Helena de Brito Caetano, funcionária mais antiga do mercadinho.
Entrega de pães em domicílio também resiste ao tempo

Na cidade de Araguari, há cerca de 30 km de Uberlândia, a panificadora da empresária Alaídes Cardoso Silva não tem sirene, mas tem um apito instalado no forno que soa tão alto quando tem fornada pronta. “o apito é ouvido a um quarteirão de distância e assim que soa muita gente vem correndo para pegar o pão quentinho”, disse. Há 16 anos funcionando no mesmo lugar, a panificadora de Alaídes Cardoso vende em média 6 mil unidades de minipães por dia, produzidas em fornadas que saem a cada 15 minutos aproximadamente.

Outro costume antigo que ainda resiste ao tempo em Araguari é o serviço de entrega em domicílio, prática adotada pela panificadora de Celestino Ribeiro de Carvalho Júnior, que há 20 anos atua no mercado de panificação. O estabelecimento de Celestino tem cadastrados cerca de 300 clientes que recebem o pão fresquinho nos próprios endereços, alguns desde quando o empresário abriu o seu negócio. “Posso garantir que a venda de pães por meio da entrega em domicilio é lucrativa, além de ajudar a manter o faturamento médio em qualquer época do ano.” Um detalhe é que a maioria das entregas já são programadas e despachadas automaticamente sem que o cliente precise pedir. Em alguns casos, até três vezes por dia. O acerto da conta fica para o fim do mês, outra comodidade para o consumidor. “A entrega em casa e o acerto que fica para o fim do mês ajudam na fidelização do nosso cliente”, afirmou.

A panificadora de Celestino fica no centro da cidade, na rua Padre Nico Taboquini, de onde saem entregas já a partir da 1h30 da madrugada para todas as regiões de Araguari. Por dia, o estabelecimento solta cerca de 40 fornadas, o que resulta numa produção diária de 10 a 11 mil de pães.

Fonte: Correio de Uberlândia

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