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Pesquisadora de Maringá cria pão francês para diabéticos


Produto é feito com uma fibra importada que inibe o aumento do nível de açúcar no sangue. Novidade, cujo preço é inferior ao do pão convencional, já está à venda e deve se popularizar



O tradicional pão francês agora pode ser consumido também por diabéticos, que, até então, dependiam de pães integrais, que possuem mais fibras e não aumentam o nível de açúcar no sangue. A nutricionista, professora universitária e pesquisadora de Maringá Carla Manfrinato conseguiu desenvolver um pão especial para esse público.

A receita foi patenteada no fim do ano passado e o produto foi reconhecido como alimento funcional pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Minha ideia foi desenvolver um produto que ajude essas pessoas a ter uma vida mais saudável. Percebi que os diabéticos tinham vontade de consumir o pão francês, mas não podiam", diz a pesquisadora.
Pão francês é um vilão para diabéticos

A epidemiologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Maria Inês Schmidt disse, em entrevista recente à Gazeta do Povo, que o pão francês possui poucas fibras e mais carboidratos, o que se torna um perigo para os diabéticos.

“Não só o açúcar é perigoso. Alimentos processados, com menos fibras e mais carboidratos, como o pão e o arroz branco, e as gorduras, quando consumidas em excesso se tornam vilões da doença.”
Serviço

O pão francês especial para diabéticos pode ser degustado e comprado por R$ 5, o quilo, em Maringá, na Manfrinato Alimentos Especiais, que fica na Avenida Paranaguá, na Zona 7, em Maringá.

O pão para diabéticos está à venda em Maringá há aproximadamente 30 dias, por um preço inferior ao do pão convencional. "O objetivo é que este pão sempre esteja acessível para todas as classes sociais. Faz apenas 30 dias que comecei a fabricar e vendo o pão a R$ 5,90, o quilo. O pão francês convencional é vendido, em média, por R$ 7”, acrescenta.

Os ingredientes do pão especial para diabéticos são os mesmos do pão francês convencional, como farinha de trigo branca e fermento. O segredo está em uma fibra especial importada da Bélgica (cujo nome não pode ser revelado, para que seja preservado o segredo de patente) que ajuda a controlar o nível de açúcar no sangue e não altera o sabor do pão.

“Essa fibra auxilia no controle da glicose sanguínea e, por isso, pode ser consumida por diabéticos, sem problema algum. Foram sete meses procurando essa fibra, que é natural”, explica Carla.

O pão é bem parecido com o pão francês convencional. As diferenças estão na coloração, que é mais branca; e no miolo, que é mais duro que o tradicional. O produto também pode ser consumido por quem não tem a doença. “Os benefícios para quem não tem diabetes também são interessantes, como a perda de peso, com a ajuda das fibras”.

Após dois anos de pesquisa, Carla Manfrinato enviou a pesquisa e as conclusões para um laboratório alimentício da Bélgica, que comprovou a eficácia dos resultados obtidos. A fabricação do produto foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em todo o Paraná.

A presidente da Associação dos Diabéticos de Maringá (Adim), Vercilene Rossi, conta que várias pessoas da entidade conheceram e elogiaram o produto. “É uma descoberta muito importante para as pessoas que tem o diabetes, porque, atualmente essas pessoas comem apenas o pão integral, que pode enjoar, com o tempo”.

Pesquisadora pretende vender a mistura para padarias

A pesquisadora Carla Manfrinato conseguiu autorização da Anvisa para vender também a mistura pronta para padarias e supermercados de Maringá. Com a mistura, o pão francês especial para diabéticos estará em todas as padarias da cidade que se interessarem pelo produto.

“Tenho a mistura pronta e a autorização para vender, mas preciso comprar alguns equipamentos para a comercialização. Como são equipamentos caros, ainda não sei quando vou começar a distribuir a mistura”, esclarece Carla.

Pão desperta curiosidade nos diabéticos de Maringá

O presidente da Associação dos Diabéticos de Maringá (Adim), Vercilene Rossi, conta que algumas pessoas da entidade conheceram e elogiaram o produto. “É uma descoberta muito importante para as pessoas que tem o diabetes, porque, atualmente, essas pessoas comem apenas o pão integral, que pode enjoar, com o tempo”.

A estudante Nathália Wismiewski Siqueira, 18 anos, que descobriu que tinha diabetes quando era criança, está ansiosa para experimentar a novidade. “Me alimento com pão francês convencional só de vez em quando. Não posso comer diariamente porque ele altera minha glicemia e até passo mal", conta.

"Se o pão francês especial for saboroso como o convencional, como já ouvi em alguns comentários, talvez eu passe a consumir diariamente. Quero experimentar”.


Fonte: Gazeta Maringá

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